GRIPE A: prevenção no consultório odontológico
Apesar de não haver muitos sinais de que a pandemia da Gripe A esteja bem controlada, agora já há mais informações sobre como previnir a transmissão do vírus H1N1 e quais as primeiras medidas que devem ser tomadas em caso de suspeita e de confirmação. Alem de divulgar e reforçar estas informações, a ABO orienta sobre os cuidados específicos para a prevenção dentro do consultório odontológico, com base nas opiniões e pareceres de especialistas em biossegurança e de entidades e órgãos de saúde e sanitários.
O cirurgião-dentista e demais profissionais que trabalham com ele mantem um contato com muito próximo dos pacientes durante o atendimento, o que cria oportunidades para que o vírus da Gripe A seja transmitido, assim como o da gripe sazonal, já que são doenças transmitidas por aerosóis. Diante deste risco, a recomendação ao CD é adiar a consulta do paciente que é caso confirmado da gripe, ou tem sintomas, e encaminhá-lo ao médico.
Esta também é a recomendação de Enrique Acosta, cirurgião-dentista e diretor da Organization for Safety and Asepsis Procedures (Osap), entidade internacional voltada à biossegurança na Odontologia e parceira da ABO. “O atendimento eletivo deste paciente pode esperar até que ele se recupere e não esteja mais infeccioso”, diz Acosta. Ele ainda destaca que, da mesma forma, os profissionais com os sintomas devem abster-se de realizar atendimentos.
Esta também é a posição do Center for Disease (CDC), entidade dedicada a promover saúde e qualidade de vida através da prevenção e controle de doenças, que também orienta sobre como conduzir os pacientes que chegarem ao consultório com os sintomas da gripe, antes que seu atendimento seja cancelado, com o objetivo de também proteger os demais presentes. Segundo o CDC, este paciente deve ser identificado logo na recepção, para que seja solicitado que use a mascara cirúrgica e também oferecido a ele lenços, caso necessite. Em seu site, a entidade disponibiliza material completo sobre controle de infecção pelo H1N1.
Atendimentos urgentes
Mas o que fazer se um paciente com sintomas ou que seja caso confirmado da Gripe A solicitar atendimento odontológico por estar com dor? Segundo Acosta, o ideal seria realizar a consulta em um ambiente preparado para isolar infecções pelo ar, o que pode ser encontrado em hospitais. “No entanto, sei que será difícil conseguir essas condições, além do cirugião-dentista precisar de treinamento especial para usar estes equipamentos.”
Mas ainda assim o diretor da Osap reforça que o atendimento deve ser adiado, principalmente de pessoas já confirmadas com a gripe. “Se ocorrer, é possível controlar a dor dental do paciente com analgésicos, antiinflamatórios e antibióticos, ate que ele se recupere da doença.”
Além destas orientações, no portal da ABO (www.abo.org.br), está disponível para download Informe Técnico sobre a Gripe A, elaborado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), com diversas orientações para profissional de saúde. No site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br) também estão disponíveis os documentos “Protocolo de notificações e investigação de casos”, entre outras informações e recomendações.
Atenção no consultório, sempre
Além destes cuidados destacados contra a Gripe A, o cirurgião-dentista e sua equipe devem também seguir os protocolos de biossegurança já conhecidos na área. “O uso correto dos equipamentos de proteção individual (EPI) a lavagem freqüente das mãos são as medidas mais destacadas”, diz a cirurgiã-dentista Renata Pittella, consultora em biossegurança da ABO. E ela completa: “Caso a cadeia asséptica se quebre, existe risco de contaminação cruzada no consultório odontológico, e não apenas pelo vírus H1N1”.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) disponibiliza on-line a Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde, que orienta o profissional a cuidar da sua saúde durante o atendimento, prevenindo diversas infecções, inclusive pelo vírus da Gripe A. o conteúdo completo da cartilha pode ser lido em http://www.anvisa.gov.br/divulga/public/cartilha_mascara.pdf.
Suspeita: como encaminhar
Se atender algum paciente suspeito de ter contraído o vírus H1N1, o CD deve orientá-lo procurar atendimento medico, de preferência em algum Hospital de Referência.
Os casos suspeitos também devem ser notificados imediatamente à Secretaria de Saúde Municipal e/ou Estadual. A notificação pode ser feita pelo Disque Notifica (0800 61 1997), pelo e-mail notifica@saude.gov.br, ou no site Ministério da Saúde clicando no banner Influenza A (H1N1) e depois no Notifique Aqui. É prudente anotar as informações do paciente, como nome, endereço, telefone, e-mail, para localizá-lo facilmente, se ele não se apresentar ao hospital indicado.
No site do Ministério está disponível a lista dos Hospitais de Referencia para a Pandemia de Influenza. Alem de encaminha-lo ao local correto para diagnostico e pronto tratamento, o cirurgião-dentista enquanto profissional de saúde, deve esclarecer seus pacientes em relação aos sintomas da doença e quais medidas devem ser tomadas.
Texto extraído do Jornal da Associação Brasileira de Odontologia
|