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CLORAMINA T, UM IMPORTANTE ANTI-SÉPTICO ORAL |
Dr. Mário Pansini / Dr. Flávio Landi
As patologias que acometem o sistema oro-bucal, dentre as quais se
encontram cáries, gengivites, periodontites e cálculos dentais, já eram
motivos de preocupações como mostram as primeiras evidencias do uso de
colutórios e dentrifícios a cerca de 4000 a.C. (1).
O controle mecânico de remoção da placa data do mesmo período da
história, pois de acordo com a literatura, os chineses usavam ramos
mascados como uma espécie de escova para higienizar seus dentes.
O papel do biofilme supragengival como causa primária do
desenvolvimento das infecções citadas acima, já é bem evidenciado nos
trabalhos publicados (2), bem como a sua remoção na manutenção da saúde
gengival (3).
Entre as doenças mais comuns que afetam o ser o humano, encontra-se as
doenças periodontais causadas por infecções bacterianas que atingem de
5 a 30% da população adulta situada na faixa etária de 25 a 75 anos
(4). São elas causadoras de dor e desconforto, além é claro, de perdas
de grande número de dentes em adultos. A relação hoje existente entre
doenças periodontais e doenças sistêmicas se tornam cada vez mais
evidentes, como por exemplo, as doenças cardíacas (5), o baixo peso de
recém-nascidos ((6), as doenças respiratórias (7) e, possivelmente
outras condições sistêmicas (8)).
O controle da doença periodontal em estágios mais adiantados requer a
utilização de técnicas de raspagem, técnicas cirúrgicas,
antibioticoterapia e orientação do paciente sobre os cuidados com a
higiene oral, sendo estes procedimentos de responsabilidade do
profissional durante as fases de tratamento. Já o controle da placa
supragengival é de exclusiva responsabilidade do paciente. Ainda,
algumas bactérias presentes nas bolsas periodontais, permanecem na
cavidade oral mesmo após os tratamentos periodontais terem sido
realizados, e de acordo com a Associação Americana de Cardiologia muita
destas bactérias são também resistentes aos antibióticos empregados,
perpetuando assim a doença periodontal presente (9).
Encontram-se no mercado uma série de produtos químicos destinados ao
controle da placa, utilizando como veículos dentrifícios e colutórios.
De acordo com LOESCHE (1976), alguns pré-requisitos e atributos são
necessários para que um agente químico possa desempenhar com eficiência
o seu papel como anti-séptico bucal:
Eficácia contra os microrganismos responsáveis pela inflamação gengival;
Substantividade (capacidade de retenção intrabucal), para que tenha
tempo de contato suficiente para agir sobre a microbiota existente, e
para poder manter a inibição de formação de placa por um período
prolongado;
Estável em temperatura ambiente por tempo considerável; e segura para exposição em seres humanos.
O anti-séptico disponível no mercado odontológico que melhor preenche
os itens postulados e considerado “o padrão ouro” é a Clorexidina,
quando comparada com as demais substancias desenvolvidas para atuar
sobre a formação de placa e desenvolvimento de gengivite (10).
A Cloramina T é um agente anti-séptico e biocida possuidor dos
postulados de LOESCHE, portanto “padrão ouro” com inovações que o deixa
em condições superiores por sua maior eficácia e vantagens em relação a
outros produtos e também em relação a Clorexidina.
A eficiência da Cloramina T contra os microorganismos se da pelo fato
de que esta substancia se transforma em íons de Cloramina T em solução
aquosa, (11), podendo ter sete diferentes combinações em mais de 99,99%
das moléculas (13). Agindo como um produto nanopariculado, ou seja, por
partículas consideravelmente menores, apresenta maior capacidade de
penetração ao agir sobre paredes celulares e tecidos afetados, bem como
nos pequenos espaços e irregularidades das superfícies dentárias e
proximais. Tem ainda como grande vantagem para os pacientes, a grande
capacidade de seu princípio ativo, que em doses até 75% menores em sua
concentração, o poder de produzir efeitos anti-sépticos similares a
outros produtos, o que reduz significativamente a possibilidade do
surgimento de efeitos colaterais, tornando-o mais seguro.
A ação biocida da Cloramina T se dá por meio de reação oxidativa e de
hidrólise protéica. Este anti-séptico ao reagir com o material orgânico
dos micro-organismos vivos de qualquer tipo (bactérias, fungos, fungos,
vírus, micobactérias), penetra ou rompe suas paredes celulares,
levando-os a uma inevitável destruição. A reação oxidativa e de
hidrolise protéica mata os micro-organismos, tanto em ambiente aeróbico
como anaeróbico, e por causa da irreversibilidade destas reações, não
há nenhuma possibilidade dos microorganismos criarem resistência ao seu
principio ativo (12).
A Cloramina -T é um anti-séptico oral que exerce um forte efeito
sustentável (tem boa substantividade) por pelo menos uma hora após
aplicação e um efeito de ação decrescente por até 24 horas, sendo um
agente indicado para usar em pessoas imunosuprimidas (pacientes
submetido à quimioterapia) que se beneficiem de uma contínua redução da
flora bacteriana na cavidade oral. O seu efeito anti-séptico imediato é
bastante útil nos momentos que precedem as cirurgias orais e/ou
exodontias (13).
Quando comparadas, a Clorexidina apresenta algumas desvantagens em
relação a Cloramina T tais como: A Clorexidina não é esporicida,
virucida nem ativa contra micobactérias (14). A Clorexidina apresenta
efeitos colaterais locais como a coloração de alguns materiais
restauradores (15) e também das mucosas, notavelmente do dorso da
língua (16). A Clorexidina no uso mais prolongado afeta o paladar (17),
aumentar a formação de cálculo supragengival e, embora raramente
observadas tumefações reversíveis nos lábios e/ou glândulas parótidas e
descamações nas mucosas (18). Ainda, tem ação muito limitada nas
periodontias, que por sua natureza catiônica, tem pouca
penetrabilidade(19).
A Cloramina T, por sua natureza aniônica, tem a sua formulação
facilitada em produtos farmacêuticos (13). É compatível com detergentes
aniônicos, podendo ser formulado com os mesmos, sendo, portanto, fácil
de obter-se formulações para dentrifícios, colutórios, géis, soluções e
cremes por ser compatível com outros compostos que normalmente formam o
sistema.
Tem ação biocida para todas as formas de microorganismos, incluído
vírus e micobactérias, na forma vegetativa, esporulada ou não.
O seu uso nas doses preconizadas não apresenta efeitos colaterais no
que tange à pigmentação e alterações morfofisiológicas de qualquer
estrutura oro-bucal, mesmo quando usada por períodos prolongados,
prestando-se, por isso, como um excelente profilático, terapêutico e
higienizador.
BIBLIOGRAFIA
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of dentifrice use. In: Embery, G. & Rölla, G., eds. Clinical and
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2) LÖE et al. Experimental gingivitis in man. J Pperiodontl, v. 36, p. 117-87. 1965
3) WUNDERLICH, R. C. et al. The terpeutic effect of toothbrushing on
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Cap. 5 p. 63-82
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11) W. GOTTARDI, Arco. Pharm., 325, 377-384, 1992
12) AKZO NOBEL BOLETIN TECNICAL : Halamid the universal desinfectant, 1995
13) F.-A. PITTEN- A. KRAMER, EUR. J. Clin Pharmaco(1999) 55: 95-100. Antimicrobial efficacy of Antiseptic Mouthrinse Solutions.
14) SILVA, PENILDON. Farmacologia. Ed. Guanabara, p. 1146-1150, 1998
15) FLOTRA,L. GERMO, et.al , Side effects of chlorexidine mouthwashes,
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16)) ERIKSEN, H. M.., KANTANEN, H. & ELLIGSEN, J. E. Chemical
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17) LANG N. P., CATALANOTTO, F.A., KNOPFLI, R.U. & ANTEZAK, A A A.A
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18) FLÖTRA, L. et al. Side effects of chlorexidine mouth washes.Scand J. Dent Res, v. 79, p. 119-125, 1971
19) ADDY, M. Chlorexidine compared with other locally delivered
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